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Uma nova Refap em 2004 Personagem do mês
 
O engenheiro químico Hildo Henz, diretor-presidente da Refinaria Alberto Pasqualini, conta as vantagens que a ampliação da empresa trará, com o início das novas operações em novembro de 2004, num investimento de U$ 750 milhões. Em setembro, a companhia completa 35 anos.
Qual é a maior novidade nessa ampliação da Refap?

A maior novidade é o aumento da capacidade, pois estaremos aumentando em 50 o volume de produção. Hoje temos condições de produzir 20 milhões de litros de combustíveis por dia, e estamos passando para 30 milhões.

E qual será o tamanho dessa ampliação?

A área física da Refap é de 550 hectares. Mas, em termos de área industrial, estamos expandindo uma vez e meia o que existe hoje. E em termos de complexidade, significa três vezes mais complexidade de operar, de fazer manutenção, pois não é simplesmente um aumento de capacidade pura e simples. Hoje a Refap opera apenas com 20 de óleo nacional, e estamos passando para 80 de óleo nacional. E o óleo nacional é diferente, já que requer uma outra tecnologia para converter em produtos. E a Refap está se adaptando a isso.

Qual a repercussão para o mercado local e para os países vizinhos com essa ampliação?

A gente gostaria de ver os nossos revendedores vendendo mais. Na época em que fizemos a concepção desse projeto, tínhamos uma projeção de crescimento no mercado, que não aconteceu. Então, a Refap estará preparada para atender o Rio Grande do Sul com folga, por muitos anos. Toda a parte do oeste de Santa Catarina, atendemos também. Estamos dimensionados para esse mercado, inicialmente, com uma sobrecapacidade. Então, certamente, vamos colocar produtos em outras regiões do Brasil e, sem dúvida, vamos exportar.

O que a Refap atende no RS?

Atendemos 85 como um todo, porque existem também as refinarias da Ipiranga e da Copesul, que fornecem alguma quantidade de gasolina.

Que ganhos o senhor acredita que o consumidor gaúcho poderá ter com essa ampliação?

Com certeza, um controle muito maior na questão de sonegação, por exemplo, porque a refinaria está localizada em território gaúcho. E o fato de a Refap estar aqui, é um benefício para o Estado, e a própria Ipiranga ter uma refinaria, também. Outra coisa que vemos como uma vantagem é que temos compromisso com o controle de qualidade, e com a cadeia como um todo. O nosso projeto não é uma aventura. Estamos aqui para ficar.

Como se iniciou o processo da ampliação?

Diria que é a continuação de um sonho, que tem o início desde quando a refinaria foi criada, quando vimos o Brasil crescendo, o mercado crescendo. E entendemos que existia esse espaço de crescimento, que havia essa demanda por mais produção e por outros produtos também. A Refap está se preparando para ser mais flexível, em termos de produção, e poder atender melhor questões que envolvem sazonalidade, clima, regiões, etc.

E quanto ao fato de que o combustível da Argentina seria mais barato que o da Refap?

Mais barato não, porque competimos com qualquer preço do combustível que sai da refinaria. Quando se compara o preço final ao consumidor, é outra história. Porque, entre o preço que a gente recebe na porta da refinaria e o preço que chega no consumidor, tem uma série de questões no meio. Então, isso leva, na verdade, a ter um preço final ao consumidor mais alto. Mas não é o preço que estamos praticando na refinaria que leva a isso. Inclusive, já mandamos cargas de produtos para a Argentina. Isso mostra, na verdade, que somos competitivos.

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