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Os índices de preços, as taxas de juros e a inflação Alfredo Marcolin Peringer - economista
Os juros não são o preço do dinheiro, mas do crédito. O Banco Central pode ter vários motivos para manter a taxa de juros básica no patamar de 16,5 ao ano, mas esses motivos não são, com certeza, econômicos, não são o de evitar o crescimento inflacionário.

 
 
Não se pode negar que o Banco Central vem seguindo orientação técnica ao manter as taxas de juro num dos mais altos patamares do mundo. Embora venha sendo acusado de seguir orientações políticas, mesmo essas decisões devem estar calcadas em fundamentos técnicos, principalmente econômicos, para serem consistentes no longo prazo. Ninguém duvida que o Banco Central precise autonomia operacional para poder manter a estabilidade monetária e pavimentar o caminho para o crescimento econômico sustentado do País. É possível deter a inflação pelo controle dos preços, do câmbio, dos salários ou dos juros? Não! A inflação é um problema eminentemente monetário que só ocorre se o Banco Central não exercer seu papel de guardião da moeda. Embora a antiga economia keynesiana ensine que os juros são o preço do dinheiro e que, controlando as taxas, controla-se a quantidade de moeda, os juros não são o preço do dinheiro, mas do crédito. Pode-se aumentar a quantidade de dinheiro dentro da economia, via Bacen, independentemente das taxas de juros. A inflação é feita pela emissão de moedas além das possibilidades de crescimentos dos bens e serviços. Os juros, os preços e o câmbio vêm atrás, e o aumento deles é conseqüência, e não causa, da inflação.

Embora possa parecer que o Copom esteja fazendo um bom trabalho ao manter altas taxas de juros, isso, além de aumentar o custo de capital de giro das empresas, sufocadas pelo custo tributário, aumenta o próprio custo do governo. Quanto mais alto o juro básico, mais alto é o custo de rolagem da dívida pública. Pagamos R$ 145,2 bilhões de juros no ano passado, ou 9,49 do PIB. Taxas de juros, taxa de câmbio, salários e preços em geral são efeitos da inflação, e não a sua causa. A quebra de uma safra agrícola, a ganância empresarial, a majoração do câmbio ou a alta dos juros só vão ser inflacionárias se forem acompanhadas de emissões monetárias exageradas.

O autor Alfredo Marcolin Peringer é economista.

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