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Um flagrante desrespeito aos direitos e à inteligência de outrem. Todo este insólito documentário narrado e comandado por jornalistas, repórteres e analistas, "Michael(s) Moore(s) tupiniquins", que pouco podem ajudar a melhorar a mediocridade do espetáculo. (Esta frase não é original, devo tê-la lido em algum lugar). Malas, maletas e cuecas, quem sabe também calcinhas, sutiãs e espartilhos, por que não? Todas elas cheias de dinheiro vivo, nacional e estrangeiro, provavelmente subtraído dos cofres públicos, voando pelos céus do Brasil. Pelos céus de um país em que os estados estão quebrados. Estados que, mesmo aumentando absurdamente a tributação sobre bens de consumo de primeira necessidade, não conseguem ou querem cumprir suas obrigações constitucionais no tocante à educação, segurança e saúde. País onde gente que trabalhou durante 35 ou 40 anos espera durante meses que o Instituto Nacional de Seguridade Social pare de procrastinar e se digne a determinar o pagamento de sua justa aposentadoria. Não. Definitivamente não é só ridículo. É trágico. Mas é por isto que a ironia e a piada se impõem. Elas são a vertente possível para a indignação. A seriedade pode ser bem ou mal humorada. A indignação mal humorada é fatalmente autodestrutiva. Portanto, recebamos com saudáveis risadas os pronunciamentos de nosso presidente "oninsciente" (de omne + in + sciens - não sei se a palavra existe - mas significaria "ignorante de tudo"), seus ministros, filhos, amigos, partidários, adversários e desafetos políticos. E mantenhamos a esperança de que, no futuro, talvez, possamos ser, sem riscos, mal humorados.