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Um axioma internacional muito conhecido e repetido é “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Ainda que se diga que liberdade e sobrevivência não têm preço, isto é só uma forma de dizer que se deve pagar qualquer preço para tê-las. Portanto, o preço da sobrevivência é também a eterna vigilância. Claro que aceitar o axioma e praticá-lo devidamente é estressante e parecerá incômodo. Claro que seria preferível uma circunstância e situação que nos permitissem relaxar e confiar. Claro que preferiríamos ser otimistas e confiantes sem qualquer culpa. E mais do que isto, sem nenhuma conseqüência menos agradável. Porém, o preço que se paga pelo otimismo desembasado e pelo excesso de confiança é, na maioria das vezes, muito alto. Historicamente, está comprovado que a desconfiança e a vigilância sempre devolvem com sobras o que nelas investimos, enquanto o despreparo e a falta de atenção terminam por definir-se em casos mais extremos como irresponsabilidade. Ao assistir a forma otimista, festiva e pouco responsável com que algumas autoridades tentam vender o programa de biodiesel, impossível não ficar “trocando orelhas”, como diria o guasca campeiro. A ilusão da redenção da agricultura familiar, o futuro radiante de maior potência energética do mundo e tantas outras quimeras pouco embasadas aceitas por um povo sofrido e esperançoso constituem-se em um crime. Autoridades deveriam ser cuidadosas. Autoridades deveriam ser precavidas. Precaução é um auxiliar insubstituível para a sorte. Não é o que se está vendo. Onde a crítica? Onde a vigilância? Qual o investimento em tecnologia, em investigação científica? Quais as garantias de comercialização? Qual a segurança de que não veremos repetido o assustador quadro de sonegação e fraudes do programa do álcool? Quais, enfim, os riscos? Não existem empreendimentos nem escolhas sem riscos. Eles devem ser procurados, investigados, avaliados. O que torna possível, viável e exitoso qualquer investimento é a adequada avaliação dos riscos e as respostas corretas aos eventuais fatores negativos. Euforia não costuma trazer bons resultados. Nem na Copa do Mundo.