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Estado viciado Palavra do Presidente
Um dos pejorativos preconceitos lançados contra os brasileiros, em particular, e os sul-americanos, em geral, é nossa tendência “ibérica”. Isto significa que nós, descendentes de espanhóis e portugueses, adoramos ficar na dependência do governo.

 
 

Um dos pejorativos preconceitos lançados contra os brasileiros, em particular, e os sul-americanos, em geral, é nossa tendência “ibérica”. Isto significa que nós, descendentes de espanhóis e portugueses, adoramos ficar na dependência do governo. Até o ex-presidente do Banco Central, na época do governo de Fernando Henrique Cardoso, insiste na necessidade de reforma desta cultura. Para o senhor Armínio Fraga somos “viciados em Estado”. Não há como ignorar ou derrotar o argumento, até porque as referências do Dr. Armínio devem ser aquelas elites empresariais que ele tão bem conhece e com quem convive socialmente. E, que na verdade, está sempre protegida dos riscos inerentes à atividade, por estarem alocadas à sombra dos governos de plantão. Porém, o pequeno e médio empresário deste País não é merecedor desta crítica. Ao contrário. Ele não busca o governo ou as autoridades; foge delas. Teme-as. Tenta manter-se longe. Na realidade, são as autoridades e o Estado que o perseguem, que o limitam, que o manipulam. É o Estado que não permite o funcionamento do mercado. É o Estado que oblitera a circunstância. É o Estado que se interpõe entre o comerciante e o cliente, criando conflitos. Parafraseando o ilustre Dr. Armínio: “não somos, os brasileiros, viciados em Estado, o Estado é que é viciado em abusar de nós.” Temos uma insuportável carga tributária e o Estado está constantemente querendo aumentá-la. Não bastando isto, comenta-se que o Estado teria lançado mão dos valores dos depósitos judiciais. Se verdadeiro, autores e réus que tiveram valores à disposição do Judiciário, foram confiscados. Uma nova lei, que entra em vigor em fins de janeiro, amplia aos juízes a permissão para o uso da “penhora on line”. Ou seja, o direito de interferir diretamente na conta de qualquer cidadão e torná-la indisponível. Quem sabe a capacidade para refazer o caixa debilitado do Estado, confiscando os cidadãos. Os direitos inerentes à cidadania se foram. Sem sigilo bancário, telefônico ou fiscal. Não, Dr. Armínio. Os pequenos empresários não são viciados no Estado. O Estado é viciado.

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