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Contrabando de combustível: PERDAS INCALCULÁVEIS Entrevista - Frederico Antunes
Cidades gaúchas na fronteira com a Argentina sofrem com o contrabando e a venda ilegal de combustíveis. A economia é abalada, as ofertas de empregos são reduzidas, revendas de combustíveis convivem com uma concorrência desleal e a saúde pública e o meio ambiente correm riscos. o presidente da Assembléia legislativa e cidadão de uruguaiana, Frederico Cantori Antunes, afirma que há solução, mas é necessário que os órgãos públicos interajam.

 
 

Há como resolver a situação? Quais mudanças devem ocorrer?

Existe solução, sim. Acredito no trabalho integrado, no diálogo entre os diversos órgãos das mais variadas instâncias. Instituições que devem “conversar” entre si. É normal que estas instituições disponham de órgãos e instrumentos eficientes para combater o contrabando. Mas, infelizmente, não podemos ignorar que de forma isolada nada funciona. Por isso, é fundamental a implementação de um trabalho integrado permanente. O combate ao contrabando, ao descaminho e à sonegação é uma tarefa permanente e intensiva que apenas apresentará resultado a médio e longo prazos. Apreensões e prisões são importantes para demonstrar que os órgãos públicos estão atentos, mas só isso não basta. É preciso dedicação constante para demonstrar aos fora-dalei que há fiscalização e que a força pública está atenta.

Como está a fiscalização nos municípios de fronteira?

A fronteira seca é imensa diante do contingente de homens, viaturas e equipamentos de que dispõem os diversos órgãos públicos. Isolados será impossível vencer esta guerra, que exige trabalho coletivo. Todos os órgãos públicos, independe da esfera, enfrentam problemas financeiros. Não existem carros, combustível, dinheiro para horas extras, armas e equipamento de inteligência suficientes. Assim, é fundamental racionalizar o pouco que todos dispõem.

O que o senhor tem conseguido fazer em relação ao problema?

Tenho conversado com a Polícia Federal, Secretaria da Fazenda e do Meio Ambiente e também com o secretário Mallmann (Francisco), da Segurança. O diálogo com os diversos entes envolvidos é o primeiro passo para um encontro de todos logo adiante, visando a implementação de ações efetivas e eficientes. Em todos estes contatos tento demonstrar a importância destas ações para a nossa população da Fronteira. Devo dizer que encontro receptividade e boa vontade. Por isso, acredito que logo adiante obteremos êxito na criação de um trabalho conjunto.

Como os revendedores de combustíveis da região podem contribuir?

Os revendedores de combustíveis são geradores de emprego e tributo, ou seja, geradores de riqueza e têm toda razão de manifestar desconformidade com o contrabando. Eles dispõem de informações que serão fundamentais. Como são profissionais do ramo, conhecem detalhes decisivos. Todo este arsenal de informações poderá render sugestões valiosas que somente os revendedores de combustíveis poderão nos fornecer. São pessoas indispensáveis ao êxito deste trabalho. Certamente, têm o maior interesse em participar, pois se deparam com uma concorrência desleal.

Quais são as perdas que a sociedade tem?

São incalculáveis e têm reflexo em diversos segmentos da nossa vida. Temos evasão e sonegação social. Esta prática predatória também aumenta a falta de leitos nos hospitais públicos, colaboram para o aumento da violência rural e urbana. Ao não pagar impostos e leis sociais, os sonegadores impedem que o governo do Estado aumente o efetivo da Brigada Militar e da Polícia Civil e reforce a frota de viaturas. Também temos a questão ambiental, que é gravíssima e preocupante. É um conjunto enorme de perigos causados por estas bombas-relógio que trafegam no perímetro urbano e rural da nossa Fronteira.

Responsáveis por pontos clandestinos de vendas de combustíveis em uruguaiana têm sido autuados e processados por crimes ambientais. sendo engenheiro agrônomo, como o senhor vê esse fato?

O contrabando apresenta grave risco para nossos mananciais hídricos. Imagine um acidente com o despejo de milhares de litros de gasolina num rio que abastece uma cidade da Fronteira. Pior: imagine este mesmo acidente, de grandes proporções, num período de estiagem, semelhante ao que enfrentamos em 2005 e 2006. Além de comprometer nossos recursos hídricos, teríamos prejuízos incalculáveis em nossa produção primária. E nós, moradores e oriundos da Fronteira, sabemos que a atividade agropecuária reflete não apenas para dentro da propriedade, mas também para fora da porteira. Sem falar no consumo humano, que estaria prejudicado por muito tempo. Costumo repetir que a perspectiva da vida, sob o ponto de vista da Agronomia, tem sido fundamental ao longo de minha trajetória política. Aprendi a valorizar, mais do que nunca, os recursos naturais, a partir de uma visão de futuro.

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