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| Queda nas vendas: Combustíveis no negativo | Entrevista Carlos Cardoso | ||||
| O comércio gaúcho foi analisado na pesquisa realizada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) em parceria com o Sistema Fecomércio - RS. O setor varejista de combustíveis surpreendeu com o decréscimo que apresentou. Em junho deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, as vendas caíram 16,6% na Capital. No Estado, 12%. O economista Carlos Cardoso, da assessoria do Sistema Fecomércio RS e responsável pela divulgação da pesquisa, fala a respeito. | |||||
Entrevista Carlos Cardoso Queda nas vendas: Combustíveis no negativo
O comércio gaúcho foi analisado na pesquisa realizada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) em parceria com o Sistema Fecomércio - RS. O setor varejista de combustíveis surpreendeu com o decréscimo que apresentou. Em junho deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, as vendas caíram 16,6% na Capital. No Estado, 12%. O economista Carlos Cardoso, da assessoria do Sistema Fecomércio RS e responsável pela divulgação da pesquisa, fala a respeito.
Em todas as cidades pesquisadas, foi menor o volume de vendas do comércio varejista de combustíveis e lubrificantes. Quais motivos colaboraram para isso?
Por questões financeiras, sem dúvida. Embora a renda da população, como um todo, venha crescendo, o é ritmo muito lento. É um fator importante para agravar o problema. Se as pessoas tivessem um nível de renda maior, certamente usariam mais seus veículos. Esse fenômeno é observado não só na região metropolitana, mas em todo Rio Grande do Sul.
Como economista, o que o senhor aconselha aos revendedores que sofrem com vendas menores?
O importante é buscar a diversificação, alternativas de marketing, verificar o que é possível fazer no mercado. Não se pode cair na armadilha de baixar a margem de lucro como forma a prejudicar a concorrência, porque todo o mercado vai partir para a mesma estratégia, o que leva ao empobrecimento. A margem de lucro vai ser mínima. Pesquisas e atitudes que tragam clientes para a empresa e a fidelização destes, oferecem outros produtos e serviços, além de combustíveis e lubrificantes, são opções para este momento de crise.
De que forma a pesquisa da Fecomércio/FEE auxilia empresários a administrarem seus negócios? Ela mostra não só a realidade do Estado. É dividida por regiões e por setores do comércio varejista e atacadista. Permite ao empresário comparar o desempenho de sua atividade em relação ao desempenho médio. O proprietário de uma revenda de combustíveis poderá acompanhar, todos os meses, o desenvolvimento da sua empresa. O investidor, que pretende ingressar em determinado mercado, poderá acompanhar como está se comportando.
O cenário nacional apresenta resultados semelhantes no setor de combustíveis?
Acompanho estes resultados pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela mede o desempenho das Capitais. Até abril deste ano, aponta resultados positivos, em 5,3% no volume de vendas do comércio varejista de combustíveis e lubrificantes no Brasil.
A pesquisa analisou vários setores do comércio. Como foi o desempenho?
O comércio gaúcho teve grandes perdas durante o ano de 2005, no ano passado começou a apresentar alguma recuperação, o que ficou mais evidente neste ano, exceto nos setores de combustíveis e lubrificantes; e de livros, jornais, revistas e papelaria, que têm passado por sucessivas quedas. De uma forma geral, temos resultados positivos, ocorreu recuperação da economia local. O volume de vendas apresentou, no mês de junho de 2007, uma variação positiva de 6,8% em comparação ao mesmo período de 2006. O comércio varejista, analisado separadamente, apresentou variação de 3,8%, tendo como destaque a alta de 16,3% no setor de veículos, motocicletas, partes, peças e acessórios. O destaque negativo ficou por conta da queda de 12,0% no setor de combustíveis e lubrificantes.
Esses resultados devem durar?
O que ocorre em nível mundial, com as quedas das bolsas e o princípio de valorização do dólar - a crise desencadeada pelo setor imobiliário americano -, vai afetar a economia gaúcha, uma vez que os Estados Unidos é um de nossos principais parceiros comerciais. Esperamos que seja uma crise passageira, resolvida em curto prazo, e que a economia siga uma tendência de crescimento.
O que desencadeou a queda das bolsas americanas?
Houve um aumento no crédito para a compra e construção de imóveis, em 2004 e 2005. Mas o crédito foi ofertado para clientes que não são de primeira linha, ou seja, aqueles que não tem um histórico de pagamentos junto aos seus bancos, não são os \"melhores pagadores\". Em meados do ano passado começou a aumentar a inadimplência. Os bancos resolveram congelar todas as tarifas. Ações deste tipo de fundo imobiliário não podiam ser resgatadas. Quem tinha comprado títulos daquele fundo imobiliário, começou a vender. É óbvio que o preço das ações despencou com a grande oferta do mercado. Praticamente todos os bancos permitiram o crédito para aquele tipo de investimento imobiliário.
Até que ponto a economia gaúcha é afetada com este problema?
Para o nosso Estado a crise econômica não tem grande reflexo, mas é afetada. No Brasil, pode ter um impacto pelo aumento na oferta mundial e no preço do barril de petróleo - pois nós ainda importamos parte do que é consumido. Pode afetar os preços, internamente.
Que efeitos têm nos negócios?
Como economista, posso afirmar sobre efeitos positivos e negativos. As empresas não têm se agarrado a um só mercado, elas já têm olhos para o mercado europeu, asiático e outros. Aumentam, então, a cada ano, as exportações para estes grandes mercados. Diversificando as escolhas para quais países vai exportar. É claro que o mundo todo está sendo atingido, mas o principal país atingido é os Estados Unidos. Com a crise, o dólar está se elevando e esperamos que ele fique no mesmo patamar que está, R$ 2,02. Com a elevação, as empresas exportadoras continuaram no mesmo nível de exportação, o que aumentará a sua restabilidade. Irão vender por um valor maior. Haverá quedas nas exportações, mas o aumento no dólar vai compensar esta queda. O quadro negativo é de que as empresas que estavam importando irão comprar por um valor maior. A crise vai prejudicar quem estava renovando seu parque tecnológico. Algumas empresas podem cancelar investimentos em função desse aumento do dólar. | |||||
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