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Gestão profissional: família pode gerenciar Entrevista - Volnei Pereira Garcia
Empresa femiliar tende a passar pelo processo sucessório, momento delicado que requer qualificação e preparo dos herdeiros ou sucessores. O consultor de empresas familiares e diretor da Cedem - Consultoria e Educação Empresarial, Volnei Pereira Garcia, desde 1994 no ramo, fala à revista Posto Avançado sobre o tema. Autor do livro Desenvolvimento das Famílias Empresárias, é graduado em Ciências Contábeis e pós-graduado em Recursos Humanos.

 
 

Mudança na diretoria e na sociedade são coisas diferentes. Explique.

A sucessão tem duas perspectivas: da gestão, que promove a substituição do principal executivo e a patrimonial, que elege quem será o sócio da empresa na próxima geração. No caso de haver mais de um sócio, é necessário que eles se entendam para definir quem será o sucessor.

O processo sucessório deve iniciar quando?

Infelizmente, na maioria das vezes o processo inicia por uma emergência. O fundador da empresa falece, ou é atingido por alguma doença repentina, e se vê pressionado a tomar a decisão. Em geral, postergada até quando é possível fazê-lo, não é recomendável. Preparar o processo sucessório na dimensão da propriedade é mais rápida, mas, se feita com antecedência, alcança o planejamento tributário e gera ganhos fiscais – tudo dentro da lei – mas desta forma conseguimos evitar custos no momento da transferência do patrimônio. A sucessão na gestão é um processo mais longo, porque preparar o sucessor, em geral, leva cerca de dez anos. Numa solução mais rápida, desde que já existam pessoas com experiência gerencial, o tempo mínimo é de cinco anos.

Mais de um filho ou parente como herdeiros. o que fazer?

Se o empresário não preparou isso, vai depender muito do entendimento que os herdeiros tiverem entre si. Se estes forem pessoas que têm informações, estão preparados para enfrentar a vida mesmo fora da empresa, o processo tende a ser mais fácil, pois não dependem economicamente do negócio que irão herdar. Quando o contrário ocorre, é um complicador a mais, porque, às vezes, na falta de entendimento, pode ocorrer cisão, o patrimônio é fracionado e enfraquecido. Nem todos têm o mesmo nível de preparo ou vocação para continuar algo que outra pessoa criou. Alguns conseguem, outros, não.

Caso o herdeiro não pretenda assumir, qual é o caminho?

Sem problemas. Quando algum herdeiro não quer assumir a gestão, não implica que ele não continue como sócio, só que com um papel diferente. Ele deve contratar um gestor ou outra pessoa da família, se tiver alguém com competência para tanto, e ficar de fora do diaa-dia. Deverá participar de reuniões de sócios ou de conselhos de família, onde são discutidos novos investimentos, avaliado o desempenho daqueles que estão gerindo o negócio. É quando vai opinar sobre os rumos. Ainda assim, é necessário ter algum conhecimento para poder participar destas discussões, ter noções de finanças e negócios. É preciso se preparar para discutir com alguma base as questões relativas à empresa, para não somente delegar e correr o risco de ser ludibriado.

Há conselhos dirigindo empresas. Como funciona?

O conselho de família, ou de sócios, são parecidos. A não ser quando existem várias famílias que são sócias do negócio, cada uma tem o seu conselho de família e elege um representante para o de sócios. Este, por sua vez, discute todas as regras da sociedade, a escolha da direção da empresa, valida investimentos e aprova orçamentos. Existem algumas empresas que buscam formalizar o processo, seguem outro caminho, que é estabelecer o conselho de administração, que cuida da gestão. Muitas vezes, a opção é por trazer para o conselho de administração pessoas que não são da família, mas são de confiança e têm experiência e conhecimento do setor.

Como evitar sobressaltos?

Para o fundador, digo que ele deve se perguntar: quando não estiver mais aqui, o negócio deve continuar? Se tiver esta intenção, deverá preparar isso com antecedência, até chegar o momento que conclua que está na hora de se afastar para dar espaço aos que vão seguir. Não precisa se distanciar totalmente. Pode fazer parte de um conselho, mas tem que começar a delegar. Se ele não vê pessoas, dentro da família, com condições para continuar o empreendimento, a melhor coisa a fazer é vender o negócio e deixar como patrimônio bens mais líquidos. Para os possíveis herdeiros, é preciso analisar se, em seu projeto de vida, está o propósito de assumir a empresa. Hoje, ao atuar em um empreendimento, seja familiar ou não, você será avaliado pelas competências e é preciso se preparar, ter formação para tanto, ser qualificado. Caso contrário, não é possível acompanhar o negócio. Quem tem formação fica mais seguro, pois tem embasamento para afirmar, sem medo, o que pensa. Pode existir uma empresa muito profissional, gerenciada por familiares.

No que consiste a gestão familiar e a profissional?

Familiar é a formada por parentes, que são mantidos na empresa, independente de estarem preparados. É comum nesses casos que os interesses da família se sobreponham aos interesses dos negócios. A gestão profissional é aquela em que o mais importante é o preparo para desempenhar a função e gerar resultados.

Profissionais externos podem auxiliar. o que levar em conta ao pedir ajuda?

Deve estar disposto a ouvir conselhos e opiniões que não são o que estava esperando ouvir. Não é adequado escolher consultores pensando que inteligente é quem pensa como eu. O empresário precisa aprender a pedir ajuda, pois não sabe tudo. Quando busca apoio, deve se informar sobre o profissional. Verificar a experiência e qualificação, pois precisará confiar. A disponibilidade de ouvir as propostas é essencial, não é necessário concordar e realizar tudo que lhe indicam. Recomendo que troque idéias com outros empresários, especialmente os que já passaram por este processo. É possível contratar um consultor e buscar opiniões de outros empresários, fazer as duas coisas.

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