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Álcool versus gasolina Mercado
Revendas convivem com novo cenário na comercialização de combustíveis. etanol ganha espaço, gera menos lucros, mas é tendência.

 
 

O consumo de gasolina está diminuindo e, progressivamente, ela é substituída pelo álcool combustível (antes chamado de álcool hidratado, e por recente determinação governamental, teve seu nome modificado para etanol). Trata-se de um movimento definitivo, se mantidas as atuais condições de mercado, tanto agrícola como industrial, e do setor automobilístico. Para os postos de combustíveis e, claro, para seus proprietários e gestores, isso implica grandes mudanças nos lucros e na movimentação financeira.

O etanol, com preços em queda, aliado ao início da safra de cana-de-açúcar em São Paulo e Paraná, tenderá a preços ainda menores. Já a gasolina não tem tido os preços reduzidos por decisão governamental e, por isso, espera-se uma grande transformação nas quantidades do consumo brasileiro de ambos. No Rio Grande do Sul, essas mudanças chegarão um pouco mais tarde, mas este ano ainda, por razões de localização geográfica e da atual política de impostos.

Quanto aos postos, é importante que se previnam para uma queda de lucros. O etanol tem um preço inferior ao da gasolina e produz menos lucro por litro vendido. Por outro lado, a gasolina, que produz maior lucro, não produzirá mais, diminuindo a rentabilidade das vendas totais do estabelecimento. Em contrapartida, será preciso um menor capital de giro do que o atual.

O grande problema é a redução dos lucros do posto, graças à oferta do mercado de um produto mais barato. A intensa produção de carros flex também contribui. Atualmente, mais de 90% dos veículos fabricados são bicombustíveis. Trata-se de um movimento mercadológico, previsto nos últimos anos pela decisão brasileira de substituir os combustíveis fósseis pelos biocombustíveis, que geram menor poluição para produzir iguais quantidades de energia.

Estamos muito longe do tempo em que haverá a substituição total da gasolina pelo etanol. Contudo, o crescimento da produção do etanol, combinado com um menor preço, aumentará em muito o seu consumo. E a gasolina continuará perdendo espaço nas bombas.

Carlos Trindade, consultor de empresas de combustíveis e energia.

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