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| Os reflexos do verão | Gerencie Melhor | ||||||||||
| O verão se aproxima e, com ele, mudanças nos negócios são necessárias. Os efeitos da estação já começaram com a mudança de horário, mas outros ainda estão por vir. São pontos positivos, como o crescimento no volume de vendas, e negativos, como doenças e epidemias. É possível evitar a falta de funcionários com orientações sobre alimentação e higiene e incrementar ainda mais o negócio apostando em produtos e detalhes que parecem básicos, mas fazem toda a diferença. | |||||||||||
Para a primeira quinzena de dezembro é possível projetar acréscimo de até 15% nas vendas em postos de combustíveis. Este percentual sobe para 25% nos dias que antecedem ao Natal. Os números são constatados pelo consultor e especialista em marketing de varejo José Claudio Correra. De acordo com ele, no primeiro mês do verão, a luminosidade está ampliada e se intensifica com o horário de verão. É quando as pessoas estão mais descontraídas, de férias e propensas a gastar mais. A consequência é o aumento na movimentação de consumidores.
Nos estabelecimentos localizados em regiões afetadas por férias escolares, os deslocamentos ocorrem com menos frequência. Fora disso, durante os meses do verão, há acréscimo muito grande de vendas nas lojas de conveniência, principalmente na área de sorvetes e bebidas frias (cervejas, refrigerantes e energéticos, entre outros), além do setor de fast food (lanches e frios). \"Como mais gente fica mais tempo na rua, se alimentam mais fora, também em lojas de conveniência. Vale a pena fazer esforços para destacar produtos da loja\", diz o consultor.
O cenário muda nas lojas situadas em locais de veraneio, onde é possível apostar na venda de caixas cheias de bebidas. \"Há condições de competir com alguns supermercados, fazendo pilhas de cervejas e de refrigerantes fora da loja, para serem levadas para casa, vendidas quente. Isso funciona bem, é uma oportunidade, valor adicional que deve ser aproveitado. Consumidores de férias, ou passeando, não querem enfrentar filas e tendem a buscar produtos que estejam à \'mão\'\", entende. Mas ressalta que não se pode esquecer dos sorvetes e picolés e das comidas leves, \"mais para o frio do que para o quente\".
Para as pistas, o especialista aconselha lembrar que é preciso preparar o carro para a viagem, trocando o óleo. \"Com ela, vem a checagem de alguns itens, que passam ao cliente mais traquilidade\", diz. O consultor chama atenção para o fato de a estação ter épocas de chuvas. \"É preciso levar as paletas e limpadores de pára-brisa para a pista e oferecer. Investir no frentistavendedor para que ele ofereça os itens. O empregado verifica a borracha e percebe se é necessária a troca. A margem de lucro é alta.\"
Quanto aos itens que sobram das datas comemorativas, Correra explica que é necessário retirar das lojas assim que o periodo passar. \"Façam uma promoção ou algo parecido, mas não os mantenham no posto. Eles tomam espaço de produtos que merecem destaque num novo momento.\"
Conduzindo o negócio Nesta época, a economia de energia no posto pode chegar a 20%, em alguns estabelecimentos. A luz do dia, mais intensa, avança \"noite adentro\" na vigência do horário de verão. Porém, o acréscimo nas vendas e a diminuição de custos requerem cuidados específicos para a estação. \"A primeira ação, com a aproximação do final do ano, é fazer a manutenção do posto, uma boa limpeza, que deve incluir a lavagem da testeira, troca de lâmpadas, pintura de paredes sujas. É preciso deixar o posto com cara de novo. Um pouco de água e sabão resolvem boa parte do problema de uma imagem que pode não estar tão brilhante assim. O posto é mais visto no verão, pois o dia é mais claro.\" A limpeza pode ser feita pela própria equipe de trabalho em dias de menor movimento e tem baixo custo. \"Descarte faixas velhas. O posto precisa ser harmonizado e isso é possível com enfeites de Natal, coisas simples, mas que lembram a época. Mas atenção: com a passagem do Natal, retire a decoração para não ficar com cara de abandono, de pouco cuidado, de fora de época.\"
Os empregados também merecem um treinamento ou pelo menos participar de uma conversa para ficar a par dos produtos e estratégias valorizadas na estação. Sugerir que ofereçam ao cliente os produtos que estarão em foco e criar metas de venda, que se forem atingidas renderão algum benefício, é essencial.
Alimentação A atenção com os empregados também deve chegar a orientações sobre cuidados com a alimentação, que podem auxiliar no melhor desempenho durante as atividades do dia e evitar faltas por indisposições de saúde. Nessa época mais quente, os cuidados devem ser redobrados por conta da desidratação do corpo e do risco de intoxicação alimentar.
No inverno há a necessidade de ingerir alimentos mais energéticos para manter a temperatura corporal. \"Já no verão, o corpo pede quantidade de líquidos para compensar as perdas de água e sais minerais na transpiração. Por isso, é preciso fazer algumas adaptações em nossos hábitos alimentares\", explica a nutricionista Juliana Dalpiaz Mengue. De acordo com ela, é necessário tomar cuidado com os alimentos que contêm ovos, maionese, leite e derivados, pois com as temperaturas altas, aumenta o risco de proliferação de bactérias.
Ficar sem se alimentar por muitas horas, não tomar o café da manhã, ingerir alimentos pesados e gordurosos e descuidar da hidratação provocam mal-estar. \"Uma alimentação leve, com bastante ingestão de líquidos e frutas, é fundamental para manter a disposição no trabalho\", recomenda.
Para a nutricionista, bem-estar e atividade física regular caminham juntos. \"Com o horário de verão, vale chegar do trabalho e fazer caminhadas ao ar livre. Trinta minutos, três vezes na semana, já ajudam melhorar o ritmo no trabalho e até a eliminar os quilos extras\", diz.
Medicamentos ou suplementos alimentares não são indicados para pessoas saudáveis, pois uma alimentação balanceada, com frutas, legumes, vegetais e cereais integrais, proporciona todas as vitaminas e minerais que o corpo precisa. Juliana também aconselha a ingestão de, no mínimo, 2,5 litros de líquidos por dia.
Dicas para uma alimentação saudável no verão * A ingestão de líquidos deve ser frequente, durante todo o dia. O ideal seria não esperar a sede aparecer, já que essa sensação é um sinal de desidratação. Água e sucos naturais são as melhores opções, por serem leves e não provocarem a sensação de \"barriga pesada\", como acontece com refrigerantes e outras bebidas gaseificadas
* No intervalo do almoço, prefira um prato com bastante salada, alimentos leves e uma sobremesa à base de frutas para não dar aquela indisposição no período da tarde
* Faça cinco ou seis pequenas refeições durante o dia
* A alimentação deve ser leve e equilibrada. O ideal é montar um prato colorido, abusando das saladas, legumes, verduras e frutas, cereais e pães integrais, carnes magras, queijos menos gordurosos
* Para quem tem refrigerador no trabalho, iogurtes, frutas e sanduíches preparados em casa com frios e muita salada são recomendados. Se não tem como manter em refrigeração, as frutas, barras de cereais e biscoitos integrais são as melhores opções
* O carboidrato (pães, massas e cereais em geral) e as proteínas (carnes) devem ser consumidos com moderação, evitando os molhos ricos em gorduras e as frituras, pois exigem mais da digestão
* Prefira os sorvetes ou picolés à base de água e polpa de frutas
Fonte: Nutricionista Juliana Dalpiaz Mengue
Doenças da estação A chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul (SESRS), Marilina Bercini, fala que o órgão está trabalhando para que não ocorram surtos ou epidemias de doenças no próximo verão. \"Entretanto, por conta das alterações climáticas e mudanças ambientais que o Estado vem enfrentando, é possível que se registrem surtos de dengue, febre amarela e outras doenças semelhantes\", diz.
Segundo a chefe da Divisão, o risco de introdução da dengue é constante, pois a doença continua acontecendo na maioria dos Estados brasileiros. \"As pessoas podem se contaminar e trazer o problema para cá, já que temos municípios infestados pelo mosquito transmissor (o Aedes Aegypti).\"
Os últimos casos de febre amarela foram registrados em maio de 2009, por isso a Secretaria considera a doença sob controle. Porém, Marilina comenta que embora se espere uma segunda onda da influenza A H1N1, a gripe suína, somente para o inverno de 2010, o comportamento da nova moléstia ainda não é totalmente conhecido e um aumento dos casos de gripe A pode ocorrer no verão.
Em relação à dengue, os postos de combustíveis devem se prevenir e eliminar os focos do mosquito transmissor por meio das ações básicas de limpeza e manutenção de utensílios e vasilhames que possam se tornar criadouros de larvas do inseto; não acumular lixo que retenha água parada, como pneus, garrafas, copos, latas; e tapar caixas d`água, poços, latões e filtros.
Em relação à influenza A H1N1, a chefe da Divisão recomenda que as empresas disponibilizem água, sabão líquido ou álcool gel e papel toalha para higienizar as mãos de consumidores e empregados, \"ventilem bem os ambientes e mantenham os funcionários com sintomas gripais afastados de suas atividades para diminuir o contágio\".
Marilina comenta que os funcionários devem manter a carteira de vacinação em dia, incluindo a vacina contra a febre amarela, caso o posto esteja situado em município de risco para a doença (atualmente são 293 municípios, a relação está disponível no site www.saude. rs.gov.br, link Febre Amarela).
Evite contaminação da gripe A e outros vírus oportunistas
* Proteger com lenços (preferencialmente descartáveis) a boca e o nariz, ao tossir ou espirrar, para evitar a disseminação de aerossóis
* Utilizar lenço descartável para a higiene nasal
* Higienizar as mãos com água e sabão antes de tocar mucosas de olhos, nariz e boca e após tossir, espirrar ou usar o banheiro
* Higienizar as mãos com água e sabão antes das refeições
* Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal
* Reduzir contatos sociais desnecessários e evitar, dentro do possível, ambientes com aglomeração
Fonte: Chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica da SESRS Marilina Bercini
Segurança A chegada do calor não traz mudanças em relação ao uso de equipamentos de proteção individual, os EPIs, pois os agentes nocivos a que estão expostos os colaboradores nos postos continuam os mesmos. \"O que geralmente ocorre nesta época do ano é a mudança do uniforme, onde alguns revendedores trocam as calças compridas por bermudas, ou tecidos mais leves\", segundo a engenheira mecânica e de segurança do trabalho Claudia Sanford Jakubowski.
Segundo ela, é nesta época que os bonés e protetores solares (que possuem certificados de proteção) são bem-vindos. A engenheira recomenda que os proprietários de postos que possuem lavagem de automóveis dêem atenção especial a utilização dos EPIs (botas, luvas e avental impermeável), \"pois muitas vezes os colaboradores preferem não utilizar devido ao calor.\" Ela ressalta a importância de não permitir que sejam utilizados calçados abertos, sandálias, chinelos de dedos e similares, passível de multas pela fiscalização do trabalho.
Os erros mais comuns cometidos pelos empregados em relação à higiene e saúde ocupacional estão relacionados à dispensa do uso dos EPIs, \"por acreditarem ser um incômodo, alimentar-se de maneira inadequada com lanches rápidos e muita fritura, aumentar a jornada de trabalho devido ao horário de verão, consequentemente tendo menos horas de sono e aumentando o nível de estresse\", conclui. | |||||||||||
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